Neoturbo disse:
Achei a hstoria muito down.
Hey, vc ja tinha publicado o conto original na versao antiga do forum, né? Ainda tem ela disponivel?
É realmente muito
down! Mas foi essa mesmo a minha intenção ao criar esse final, causar revolta e indignação nos leitores.
Eu não cheguei a postar nenhuma versão de Branca de Neve no antigo fórum. Postei versões de Borralheira. Existem várias "versões" antigas de Branca de Neve, escritas ou orais. Mas, de um certo ponto de vista, podemos dizer que a maioria delas são, na verdade, contos semelhantes a Branca de Neve, e não versões do mesmo conto. Pensando assim, podemos dizer que a versão escrita original de Branca de Neve é a dos Irmãos Grimm mesmo, de 1812. Ela pode ser facilmente encontrada em livros, mas aqui vai:
Branca de Neve
Há muito, muito tempo mesmo, no coração do inverno,
enquanto flocos de neve caíam do céu como fina
plumagem, uma rainha, nobre e bela, estava ao pé de
uma janela aberta, cuja moldura era de ébano.
Bordava e, de quando em quando, olhava os flocos
caindo maciamente; picou o dedo com a agulha e três
gotas de sangue purpurino caíram na neve, produzindo
um efeito tão lindo, o branco manchado de vermelho
e realçado pela negra moldura da janela, que a
rainha suspirou. e disse consigo mesma:
.Quem me dera ter uma filha tão alva como a neve,
carminada como o sangue e cujo rosto fosse emoldurado
de preto como o ébano!.
Algum tempo depois, teve uma filhinha cuja tez era
tão alva como a neve, carminada como o sangue e os
cabelos negros como o ébano. Chamaram à menina
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de Branca de Neve; mas, ao nascer a criança, a rainha
faleceu.
Decorrido o ano de luto, o rei casou-se em segundas
núpcias, com uma princesa de grande beleza, mas
extremamente orgulhosa e despótica; ela não podia
suportar a idéia de que alguém a sobrepujasse em
beleza. Possuía um espelho mágico, no qual se mirava
e admirava freqüentemente.
E então, dizia:
- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:
Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?
0 espelho respondia: – É Vossa Realeza a mulher mais
bela desta redondeza.
Ela, então, sentia-se feliz, porque sabia que o espelho
só podia dizer a pura verdade. No entanto, Branca
de Neve crescia e aumentava em beleza e graça; aos
sete anos de idade era tão linda como a luz do dia e
muito mais que a rainha.
Um dia a rainha, sua madrasta, consultou como de
costume o espelho.
- Espelhinho, meu espelhinho, responde-mo com franqueza:
Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?
0 espelho respondeu:
- Real senhora, sois aqui a mais bela, Porém Branca
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de Neve é de vós ainda mais bela !
A rainha estremeceu e ficou verde de ciúmes. E daí,
então, cada vez que via Branca de Neve, por todos
adorada pela sua gentileza,. seu coração tinha verdadeiros
sobressaltos de raiva.
- Sua inveja e seus ciúmes desenvolviam-se qual erva
daninha, não lhe dando mais sossego, nem de dia,
nem de noite.
Enfim, já não podendo mais, mandou chamar um ca-
çador e disse-lhe:
- Leva essa menina para a floresta, não quero mais
tornar a vê-la; leva-a como puderes para a floresta,
onde tens de matá-la; traze-me, porém, o coração e o
fígado como prova de sua morte.
0 caçador obedeceu. Levou a menina para a floresta,
sob pretexto de lhe mostrar os veados e corças que lá
haviam. Mas, quando desembainhou o facão para
enterrá-lo no coraçãozinho puro e inocente, ela desatou
a chorar, implorando:
- Ah, querido caçador, deixa-me viver! Prometo ficar
na floresta, e nunca mais voltar ao castelo; assim,
quem te mandou matar-me, nunca saberá que me
poupaste a vida.
Era tão linda e meiga que o caçador, que não era mau
homem, apiedou-se dela e disse: Pois bem, fica na
floresta, mas livra-te de sair Ia, porque a morte seria
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certa. E, em seu íntimo, ia pensando: .Nada arrisco,
pois os animais ferozes vão devorá-la em breve e a
vontade da rainha será satisfeita, sem que, eu seja
obrigado a suportar o peso de um feio crime…
Justamente nesse momento passou correndo um
veadinho; o caçador. matou-o, tirou-lhe o coração e o
fígado e levou-os à rainha como se fossem de Branca
de Neve.
0 cozinheiro foi incumbido de prepará-los e cozê-los;
e, no seu rancor feroz, a rainha comeu-os com alegria
desumana,. certa de estar comendo o que pertencera,
a Branca.,. de Neve…
Durante esse tempo a pobre menina, que ficara abandonada
na floresta, vagava. trêmula de medo, sem
saber, que fazer. Tudo a assustava, o ruído da brisa,
uma folha que caía, enfim, tudo produzia nela um
terrível pavor.
Ouvindo o uivar dos lobos, pôs-se a correr cheia de
terror; os pezinhos delicados, feriam-se nas pedras
pontiagudas e estava toda arranhada pelos espinhos.
Passou ao pé de muitos animais ferozes., mas estes
não lhe fizeram mal algum.
Enfim, à noitinha, cansada e ofegante, encontrou-se
diante de uma linda casinha situada no meio de uma
clareira. Entrou, mas não viu ninguém.
Contudo, a casa devia ser habitada, pois notou que
tudo estava muito asseado e arrumadinho, dando gosto
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de se ver.
Numa graciosa mesa coberta com uma fina e alva
toalha, achavam-se postos. sete pratinhos, sete
colherinha e sete garfinhos, sete faquinhas e sete
copinhos, tudo perfeitamente em ordem.
No quarto ao lado, viu sete caminhas uma junto da
outra, com seus lençóis tão alvos.
Branca de Neve, que morria de fome e sede, aventurou-
se a comer um pouquinho do que estava servido
em cada pratinho, mas, não querendo privar nem um
só dono de seu alimento, tirou somente um bocadinho
de cada. e bebeu apenas um golinho do vinho de
cada um.
Depois, não agüentando cansaço, foi deitar-se numa
caminha, mas a primeira era curta demais, a Segunda
muito estreita, experimentando-as todas até que a
sétima tinha a medida justa. Então fez sua oração,
encomendou-se a Deus e em breve adormeceu profundamente.
Ao anoitecer chegaram os donos da casa; eram os
sete anões, que trabalhavam durante o dia na escava
ção de minério na montanha.
Cada qual acendeu uma lanterninha e, quando a casa
se iluminou, viram que alguém entrara em sua casa,
porque não estava tudo na ordem perfeita conforme
haviam deixado ao sair.
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Sentaram-se à mesa, e, então, disse o primeiro:
- Quem mexeu na minha cadeirinha?
0 segundo: – Quem, comeu do meu pratinho?
0 terceiro: – Quem tocou no meu pãozinho?
0 quarto: – Quem usou o meu garfinho?
0 quinto: – Quem tirou um pouco da minha verdurinha?
0 sexto: – Quem cortou com a minha faquinha?
E o sétimo: – Quem bebeu do meu copinho?
Depois da refeição, foram para o quarto; notaram logo
as caminhas amassadas; o primeiro reclamou:
- Quem deitou na minha caminha?
- E na minha?
- E na minha? – gritaram os outros, cada qual examinando
a própria cama.
Enfim, o sétimo descobriu Branca de Neve dormindo a
sono solto na sua caminha.
Correram todos com suas lanterninhas e cheios de
admiração exclamaram:
- Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! que encantadora e
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linda menina!
Sentiam-se tão transportados de alegria, que não
quiseram acordá-la e deixaram-na dormir tranqüilamente.
0 sétimo anão dormiu uma hora com cada um de seus
companheiros; e assim passou a noite.
No dia seguinte, quando Branca de Neve acordou e
levantou-se, ficou muito assustada ao ver os sete
anões.
Mas eles sorriram-lhe e perguntaram com a maior
amabilidade:
- Como te chamas? – Chamo-me Branca de Neve, respondeu
ela. – Como vieste aqui à nossa casa?
Ela contou-lhes como sua madrasta mandara matá-la
e como o caçador lhe permitira que vivesse na floresta.
Após ter corrido o dia todo chegara aí e, vendo a
linda casinha, entrara para descansar um pouco.
Os anões perguntaram-lhe:
- Queres ficar conosco? Aqui não te faltará nada, só
tens que cuidar da casa, fazer nossa comida, lavar e
passar nossa roupa, coser, tecer nossas meias e manter
tudo muito limpo e em ordem; mas; quando tiveres
acabado o teu trabalho, serás a nossa rainha.
- Sim, anuiu a menina – ficarei convosco de todo o
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coração!
E ficou morando com eles, procurando manter tudo
sempre em ordem. Pela manhã, eles partiam para as
cavernas em busca- de ouro e minérios e, à noite,
quando voltavam, todos jantavam juntos muito alegres.
Como a menina ficava só durante ó dia, os anões
advertiram-na que se acautelasse:
- Toma cuidado com a tua madrasta; não tardará a
saber onde estás, por isso, durante nossa ausência,
não deixes entrar ninguém aqui.
A rainha, entretanto, certa de ter comido o fígado e o
coração de Branca de Neve, vivia despreocupada, ela
pensava, satisfeita, que era, novamente, a primeira e
mais bela mulher do reino.
Certo dia, porém, teve a fantasia de consultar o espelho,
e certa de que lhe responderia não ter mais nenhuma
rival em beldade. Assim mesmo disse:
- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-mo com franqueza:
Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?
Imaginem o seu furor quando o espelho respondeu:
- Real senhora, do país sois a mais formosa. Mas
Branca de Neve, que por trás dos montes vive e em
casa dos sete anões, é de vós mil vezes mais formosa!
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A rainha ficou furiosa, pois sabia que o espelho não
podia mentir. Percebeu, assim, que o caçador a enganara
e que Branca de Neve continuava a viver.
Novamente devorada pelo ciúme e pela inveja, só
pensava na maneira de suprimi-la encontrando algum
alívio só quando julgou ter ao alcance o meio desejado.
Pensou, pensou, pensou, depois tingiu o rosto e disfar
çou-se em velha vendedora de quinquilharias, de
maneira perfeitamente irreconhecível.
Assim disfarçada, transpôs as sete montanhas e foi à
casa dos sete anões; chegando lá, bateu à porta e
gritou:
- Belas coisas para vender, belas coisas; quem quer
comprar?
Branca de Neve, que estava no primeiro andar e se
aborrecia por ficar sozinha todo o santo dia, abriu a
janela e perguntou-lhe o que tinha para vender.
- Oh! coisas lindíssimas, – respondeu a velha – olhe
este fino e elegante cinto.
A o mesmo tempo, mostrava um cinto de cetim cor de
rosa, todo recamado de seda multicor. .Esta boa mulher
posso deixar entrar sem perigo., calculou Branca
de Neve; então desceu, puxou o ferrolho e comprou o
cinto.
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Mas a velha disse-lhe: – Tu não sabes abotoá-lo! Vem,
por esta vez, eu te ajudarei a fazê-lo, como se deve.
A menina postou-se confiante na frente da velha,
deixando que lhe abotoasse o cinto; então a cruel
inimiga, mais que depressa, apertou-o com tanta for-
ça, que a menina perdeu a respiração e caiu desacordada
no chão.
- Ah, ah! – exclamou a rainha, muito contente – Já
foste a mais bela! E fugiu rapidamente, voltando ao
castelo.
Felizmente, os anões, nesse dia, tendo terminado o
trabalho mais cedo que de costume, voltaram logo
para casa.
E qual não foi seu susto ao verem a querida Branca de
Neve estendida no chão, rígida como se estivesse
morta! Ergueram-na e viram que o cinto apertava demais
sua cinturinha. Logo o desabotoaram e ela come
çou a respirar levemente e, pouco a pouco, voltou
a si e pôde contar o que sucedera.
Os anões disseram-lhe:
- Foste muito imprudente; aquela velha era, sem dú-
vida, a tua horrível madrasta. Portanto, no futuro,
tenha mais cuidado, não deixes entrar mais ninguém
quando não estivermos em casa.
- Á pérfida rainha, logo que chegou ao castelo, correu
ao espelho, esperando, enfim, ouvi-lo proclamar a sua
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absoluta beleza, o que para ela soava mais deliciosamente
que tudo, e perguntou:
- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:
Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?
Como da outra vez, o espelho respondeu:
- Real senhora, do país sois a mais formosa. Mas
Branca de Neve, que por trás dos montes vive o em
casa dos sete anões… é de vós mil vezes mais formosa!
A essas palavras a rainha sentiu o sangue gelar-selhe
nas veias; empalideceu de inveja e, depois, torcendo-
se de raiva, compreendeu que a rival ainda
estava viva. Pensou, novamente, num meio de perder
a inocente, causa de seu rancor.
.Ah, desta vez hei de arranjar alguma coisa que será.
a tua ruína!.
E, como entendia de bruxedos, pegou num magnífico
pente. cravejado de pérolas e besuntou-lhe os dentes
com o veneno feito por ela própria.
Depois, disfarçando-se de outro modo, dirigiu-se para
a casa dos sete anões; aí bateu à porta, gritando:
- Belas coisas para vender! coisas bonitas e baratas;
quem quer – comprar? Branca de Neve abriu a janela e
disse: – Podeis seguir vosso caminho boa mulher; eu
não posso abrir a ninguém.
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- Mas olhar, apenas, não te será proibido! – disse a
velha – Olha este pente. cravejado de pérolas e digno
de uma princesa. Pega nele e admira de perto, nada
pagarás por isso!
Branca de Neve. deixou-se tentar pelo brilho das pé-
rolas; depois de o ter bem examinado, quis comprá-lo
e abriu a porta à velha, que lhe disse:
- Espera, vou ajudar você e a pôr o pente nos teus
lindos e sedosos cabelos, para que estejas bem adornada.
A pobre menina, sem saber, deixou-a fazer; a
velha enterrou-lhe o pente com violência; mal os dentes
tocaram na pele, Branca de Neve caiu morta sob a
ação do veneno.
A rainha maldosa resmungou satisfeita:
- Enfim bem morta, Flor de Beleza! – Agora tudo se
acabou para ti! Adeus!- exclamou, a rainha, soltando
uma gargalhada medonha. e apressando-se a regressar
ao castelo.
Já estava anoitecendo e os anões não tardaram a
chegar. Quando viram Branca de Neve estendida no
chão, desacordada, logo adivinharam nisso a mão da
madrasta. Procuraram o que lhe poderia ter feito e
encontraram o pente envenenado. Assim que o tiraram
da cabeça, a menina voltou a si e pôde contar o
que sucedera. Novamente a preveniram que tomasse
cuidado e não abrisse a porta, dizendo:
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- Foi ainda a tua madrasta quem te pregou essa peça.
Preciso que nos prometas que nunca mais. abrirás a
porta,. seja lá a quem for. Branca de Neve prometeu
tudo o que os anões lhe pediram.
Apenas de volta ao castelo, a rainha correu a pegar no
espelho e perguntou:
- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:
Qual- a mulher mais bela de toda a redondeza?
Mas a resposta foi como das vezes anteriores. 0 espelho
repetiu:
- Real senhora, do pais sois a mais formosa, Mas
Branca de Neve, que por trás dos montes vive e em
casa dos sete anões, é de vós mil vezes mais formosa!
Ao ouvir tais palavras, ela teve um assomo de ódio,
grito a raiva malvada:
- Hás de morrer, criatura miserável, ainda que eu tenha
que o pagar com minha vida!
Levou vários dias consultando todos os livros de bruxaria;
finalmente fechou-se num quarto, ciosamente
oculto, onde jamais entrava alma viva e aí preparou
uma maçã, impregnando-a de veneno mortífero.
Por fora era mesmo tentadora, branca e vermelha, e
com um perfume tão delicioso que despertava a gula
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de qualquer um; mas, quem provasse um pedacinho,
teria morte infalível.
Tendo assim preparado a maçã, pintou o rosto e disfar
çou-se em camponesa e como tal encaminhou-se,
transpondo as sete montanhas e indo bater à casa
dos sete anões. Branca de Neve saiu à janela e disse:
- Vai embora, boa mulher, não posso abrir a ninguém;
os sete anões proibiram.
- Não preciso entrar, – respondeu a falsa camponesa -
podes ver as maçãs pela janela, se as quiseres comprar.
Eu venderei alhures minhas maçãs, mas quero
dar-te esta de presente. Vê como ela é magnífica! Seu
perfume embalsama o ar. – Prova um pedacinho, estou
certa de que a acharás deliciosa!
- Não, não, – respondeu Branca de Neve – não me
atrevo a aceitar.
- Receias, acaso, que esteja envenenada? – disse a
mulher – Olha, vou comer a metade da maçã e tu
depois poderás comer o resto para veres que deliciosa
é ela.
Cortou a maçã e pôs-se a comer a parte mais tenra
pois a maçã havia sido habilmente preparada, de
maneira que o veneno estava todo concentrado na cor
vermelha.
Branca de Neve, tranqüilizada, olhava cobiçosamente
para a linda maçã e, quando viu a camponesa masti
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gar a sua metade, não resistiu, estendeu a mão e
pegou a parte envenenada. Apenas lhe deu a primeira
dentada, caiu no chão, sem vida.
Então a pérfida madrasta contemplou-a com ar feroz.
Depois, – saltando e rindo com uma alegria infernal,
exclamou:
- Branca como a neve, rosada como o sangue e preta
como o ébano! Enfim, morta, morta, criatura atormentadora!
Desta vez nem todos os anões do mundo poder
ão despertar-te!
Apressou-se a voltar ao castelo; mal chegou, dirigiuse
ao espelho e perguntou:
- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com
franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?
Desta vez o espelho respondeu:
- De toda a redondeza agora, Real senhora, sois vós
a mais formosa!
Sentiu-se transportada de júbilo e seu coração
tranqüilizou-se, enfim, tanto quanto é possível a um
coração invejoso e mau.
Os anões, regressando à noitinha; encontraram Branca
de Neve estendida no chão, morta. Levantaram-na
e procuraram, em vão, o que pudera causar-lhe a
morte; desabotoaram-lhe o vestido, pentearam-lhe o
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cabelo. Lavaram-na com água e vinho, mas tudo foi
inútil: a menina estava realmente morta.
Então, colocaram-na num esquife é choraram durante
três dias. Depois cuidaram de enterrá-la, porém ela
conservava as cores frescas e rosadas como se estivesse
dormindo. Eles então disseram:
- Não, não podemos enterrá-la na terra preta. Fabricaram
um esquife de cristal para que fosse visível de
todos os lados e gravaram – na tampa, com letras de
ouro o seu nome e sua origem real; colocaram-na
dentro e levaram-na para o cume da montanha vizinha,
onde ficou exposta, e cada um por sua vez ficava
ao pé dele para a guardar contra os animais ferozes.
Mas podiam dispensar-se disso; os animais, todos da
floresta, até mesmo os abutres, os lobos, os ursos,
os esquilos e pombinhas, vinham chorar ao pé da inocente
Branca de Neve.
Muitos anos passou Branca de Neve dentro do esquife,
sem apodrecer; parecia estar dormindo, pois sua tez
era ainda como a desejara a mãe: branca como a
Neve, rosada como o sangue e os longos cabelos pretos
como ébano; não tinha o mais leve sinal de morte.
Um belo dia, um jovem príncipe, filho de um poderoso
rei, tendo-se extraviado durante a caça na floresta,
chegou à montanha onde Branca de Neve repousava
dentro de, seu esquife de cristal. Viu-a e ficou deslumbrado
com tanta beleza, leu o que estava gravado
em letras de ouro e não mais a esqueceu.
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Pernoitando em casa dos anões disse-lhes:
- Dai-me esse esquife; eu vos darei todos os meus
tesouros para poder levá-lo ao meu castelo. Mas os
anões responderam:
- Não; não cedemos a nossa querida filha nem por
todo o ouro do mundo. 0 príncipe caiu em profunda
tristeza e permaneceu extasiado na contemplação da
beleza tão pura de Branca de Neve; tornou a pedir aos
anões:
- Fazei-me presente dele, pois já não posso mais viver
sem a ter diante de meus olhos; quero dar-lhe as
honras que só se prestam ao ser mais amado neste
mundo.
Ao ouvirem essas palavras, e vendo a grande tristeza
do príncipe, os anões compadeceram-se dele e deram-
lhe Branca de Neve, certos de que ele não deixaria
de colocá-la na sala de honra do seu castelo.
0 príncipe tendo encontrado seus criados, mandou que
pegassem no caixão e o carregassem nos ombros.
Aconteceu, porém, que um dos criados tropeçou numa
raiz de árvore e, com o solavanco, pulou da boca meio
aberta o bocadinho de maça que ela mordera mas não
engolira.
Então Branca de Neve reanimou-se; respirou profundamente,
abriu os olhos, levantou a tampa do esquife
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e sentou-se: estava viva.
- Meu Deus, onde estou? – exclamou ela.
0 príncipe, radiante de alegria, disse-lhe:
- Estás comigo. Agora acabaram todos os teus tormentos,
bela garota; a mais preciosa que tudo quanto
há no mundo; vamos ao castelo de meu pai, que é
um grande e poderoso rei, e serás a minha esposa
bem amada.
Como o príncipe era encantador e muito gentil, Branca
de Neve aceitou-lhe a mão. 0 rei muito satisfeito com
a escolha do filho, mandou preparar tudo para umas
núpcias suntuosas.
Para a festa, além dos anões, foi convidada também
a rainha que, ignorando quem era a noiva, vestiu os
seus mais ricos trajes, pensando eclipsar todas as
damas e donzelas. Depois de vestida, foi contemplarse
no espelho, certa de ouvir proclamar sua beleza
triunfante. Perguntou:
- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:
Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?
Qual não foi seu espanto ao ouvi-lo responder:
- Real senhora, de todas aqui solo a mais bela agora,
Mas a noiva do filho do rei, é de vós mil vezes mais
formosa!
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A perversa mulher soltou uma imprecação e ficou tão
exasperada que não podia controlar-se e não queria
mais ir à festa. Entretanto, como a inveja não lhe
dava tréguas, sentiu-se arrastada a ver a jovem rainha.
Quando fez a entrada no castelo, perante a corte reunida,
Branca de Neve logo reconheceu sua madrasta e
quase desmaiou de susto.
A horrível mulher fitava-a como uma serpente ao fascinar
um passarinho. Mas sobre o braseiro já estavam
prontos um par de sapatos de ferro, que haviam ficado
a esquentar em ponto de brasa; os anões apoderaram-
se dela e, calçando-lhe à força aqueles sapatos
quentes como fogo, obrigaram-na a dançar, a dançar,
a dançar, até cair morta no chão.
Em seguida, realizou-se a festa com um esplendor
jamais visto sobre a terra, e todos, grandes e pequenos,
ficaram profundamente alegres.
Fim
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