Forum | Contos de Fadas

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UserPost

1:06
16 novembro 2009


Mateus

Member

posts 87

Leiam esta bonita versão do conto Branca de Neve. Laughing Eu mesmo a escrevi. Baseei-me em quatro versões escritas já existentes, mas o final eu mesmo criei! Razz


                                                                    Branca de Neve

 

Certa vez, um conde e sua esposa estavam viajando de carruagem, quando avistaram uma poça de leite. Isso os fez desejar uma filha branca como o leite. Andando mais um pouco, viram uma poça de sangue. Desejaram, então, uma filha vermelha como o sangue. Um pouco mais adiante, encontraram, sozinha na estrada, uma bela menininha de pele branca como o leite e lábios vermelhos como o sangue. Levaram-na consigo e lhe deram o nome de Branca de Neve.

Quando a noite caiu, a condessa olhou pela janela do coche e disse à lua cheia:

-Diga-me se sou eu a mulher mais bela deste mundo.

-Em verdade não o sois, senhora! A mais bela é vossa filha, Branca de Neve! – respondeu-lhe a lua.

Obcecada de raiva por isso, a condessa aproveitou-se do conde estar dormindo e atirou Branca de Neve para fora do coche.

Abandonada na estrada deserta, Branca de Neve caiu em prantos. Quando o dia amanheceu, uma águia desceu do céu, e vendo a garota tão desolada, perguntou-lhe:

- Por que tanto chorais, formosa menina?

-Pois, respondeu ela, minha mãe abandonou-me aqui neste horrível lugar.

-Não choreis mais, disse o pássaro, levar-vos-ei para um belo lugar, onde muito bem quista sereis!

A ave fê-la montar em si e a carregou para muito distante dali, até chegarem a um maravilhoso castelo.

Branca de Neve bateu na porta, e três velhas fadas saíram. Ao verem quão bela era a menina, as boas mulheres de imediato amaram-na, e a acolheram com carinho.

Durante um mês, Branca de Neve viveu feliz ali. Mas, quando a lua cheia voltou a surgir, a condessa voltou a consultá-la:

-Diga-me se sou a mulher mais bela deste mundo!

-Em verdade não o sois, senhora! – foi a resposta – a mais bela ainda é vossa filha Branca de Neve, que vive muito bem com as três anciãs em seu castelo.

A mulher, então, foi falar com uma velha fada, e lhe pagou para ir até o castelo envenenar Branca de Neve.

A fada foi à casa das boas anciãs num momento em que elas não estavam, e ofereceu à menina uma cesta de cheia de guloseimas doces. Como era louca por doces, a garota não resistiu, e aceitou comer alguns. Nem bem engolira um, caiu ao chão, parecendo morta.

Quando as anciãs voltaram, tiveram o desgosto de encontrar a linda menininha naquele estado. A mais velha das três fadas enfiou a mão na goela da menina, esticando o braço até alcançar-lhe o estômago. Puxou para fora o doce que ela havia comido, e após isso ela recobrou a vida.

-Vê bem, disse a mais velha a Branca de Neve, ajudamos-te desta vez porque estavas inocente de tudo. Mas agora ouve, dou-te neste momento a ordem de não abrir qualquer porta ou janela do castelo enquanto estivermos fora a partir de agora. Somos muito benévolas, mas o que não toleramos é ser desobedecidas por quem acolhemos. Se o fizeres, não mais terás nossa ajuda em nada!

Enquanto isso, a velha fada havia corrido para a condessa a contar-lhe que o plano dera certo. Porém, à noite, a lua cheia contou à mulher como Branca de Neve fora salva. A condessa foi imediatamente ralhar com a fada, e esta prometeu que não mais falharia.

A velha voltou no dia seguinte à casa das anciãs, passando-se por vendedora de roupas. A menina não queria abrir qualquer porta ou janela, mas quando a falsa comerciante disse-lhe que ia dar-lhe o mais belo vestido que ela jamais tivera, não se conteve e a deixou entrar. Nem bem experimentou aquele vestido, a donzela caiu morta novamente.

Quando as anciãs chegaram em casa, ficaram iradas ao ver que a jovem desobedecera-lhes. Cousa que realmente não toleravam era desobediência, conforme já lhe haviam alertado.

-Podíamos bem salvar-te agora, ingrata! – Disse a mais velha – Bastaria despir-te do vestido amaldiçoado. Mas não! Não o faremos! Em vez disso, pagarás caro pela falta de respeito que cometeste ao desacatar-nos a ordem! Hás de apodrecer vilmente embaixo da terra, maldita menina!

Em seguida, levaram o corpo de Branca de Neve para o jardim do castelo, onde cavaram uma cova e ali a enterraram.

                                                                            FIM

Texto de Mateus Amato Montalbano – 2009

1:19
17 novembro 2009


Neoturbo

Admin

posts 293

Achei a hstoria muito down.

Hey, vc ja tinha publicado o conto original na versao antiga do forum, né? Ainda tem ela disponivel?

14:18
18 novembro 2009


Mateus

Member

posts 87

Neoturbo disse:

Achei a hstoria muito down.

Hey, vc ja tinha publicado o conto original na versao antiga do forum, né? Ainda tem ela disponivel?


É realmente muito Laughingdown! Mas foi essa mesmo a minha intenção ao criar esse final, causar revolta e indignação nos leitores.

Eu não cheguei a postar nenhuma versão de Branca de Neve no antigo fórum. Postei versões de Borralheira. Existem várias "versões" antigas de Branca de Neve, escritas ou orais. Mas, de um certo ponto de vista, podemos dizer que a maioria delas são, na verdade, contos semelhantes a Branca de Neve, e não versões do mesmo conto. Pensando assim, podemos dizer que a versão escrita original de Branca de Neve é a dos Irmãos Grimm mesmo, de 1812.  Ela pode ser facilmente encontrada em livros, mas aqui vai:

                          Branca de Neve

Há muito, muito tempo mesmo, no coração do inverno,

enquanto flocos de neve caíam do céu como fina

plumagem, uma rainha, nobre e bela, estava ao pé de

uma janela aberta, cuja moldura era de ébano.

Bordava e, de quando em quando, olhava os flocos

caindo maciamente; picou o dedo com a agulha e três

gotas de sangue purpurino caíram na neve, produzindo

um efeito tão lindo, o branco manchado de vermelho

e realçado pela negra moldura da janela, que a

rainha suspirou. e disse consigo mesma:

.Quem me dera ter uma filha tão alva como a neve,

carminada como o sangue e cujo rosto fosse emoldurado

de preto como o ébano!.

Algum tempo depois, teve uma filhinha cuja tez era

tão alva como a neve, carminada como o sangue e os

cabelos negros como o ébano. Chamaram à menina

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de Branca de Neve; mas, ao nascer a criança, a rainha

faleceu.

Decorrido o ano de luto, o rei casou-se em segundas

núpcias, com uma princesa de grande beleza, mas

extremamente orgulhosa e despótica; ela não podia

suportar a idéia de que alguém a sobrepujasse em

beleza. Possuía um espelho mágico, no qual se mirava

e admirava freqüentemente.

E então, dizia:

- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:

Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?

0 espelho respondia: – É Vossa Realeza a mulher mais

bela desta redondeza.

Ela, então, sentia-se feliz, porque sabia que o espelho

só podia dizer a pura verdade. No entanto, Branca

de Neve crescia e aumentava em beleza e graça; aos

sete anos de idade era tão linda como a luz do dia e

muito mais que a rainha.

Um dia a rainha, sua madrasta, consultou como de

costume o espelho.

- Espelhinho, meu espelhinho, responde-mo com franqueza:

Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?

0 espelho respondeu:

- Real senhora, sois aqui a mais bela, Porém Branca

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de Neve é de vós ainda mais bela !

A rainha estremeceu e ficou verde de ciúmes. E daí,

então, cada vez que via Branca de Neve, por todos

adorada pela sua gentileza,. seu coração tinha verdadeiros

sobressaltos de raiva.

- Sua inveja e seus ciúmes desenvolviam-se qual erva

daninha, não lhe dando mais sossego, nem de dia,

nem de noite.

Enfim, já não podendo mais, mandou chamar um ca-

çador e disse-lhe:

- Leva essa menina para a floresta, não quero mais

tornar a vê-la; leva-a como puderes para a floresta,

onde tens de matá-la; traze-me, porém, o coração e o

fígado como prova de sua morte.

0 caçador obedeceu. Levou a menina para a floresta,

sob pretexto de lhe mostrar os veados e corças que lá

haviam. Mas, quando desembainhou o facão para

enterrá-lo no coraçãozinho puro e inocente, ela desatou

a chorar, implorando:

- Ah, querido caçador, deixa-me viver! Prometo ficar

na floresta, e nunca mais voltar ao castelo; assim,

quem te mandou matar-me, nunca saberá que me

poupaste a vida.

Era tão linda e meiga que o caçador, que não era mau

homem, apiedou-se dela e disse: Pois bem, fica na

floresta, mas livra-te de sair Ia, porque a morte seria

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certa. E, em seu íntimo, ia pensando: .Nada arrisco,

pois os animais ferozes vão devorá-la em breve e a

vontade da rainha será satisfeita, sem que, eu seja

obrigado a suportar o peso de um feio crime…

Justamente nesse momento passou correndo um

veadinho; o caçador. matou-o, tirou-lhe o coração e o

fígado e levou-os à rainha como se fossem de Branca

de Neve.

0 cozinheiro foi incumbido de prepará-los e cozê-los;

e, no seu rancor feroz, a rainha comeu-os com alegria

desumana,. certa de estar comendo o que pertencera,

a Branca.,. de Neve…

Durante esse tempo a pobre menina, que ficara abandonada

na floresta, vagava. trêmula de medo, sem

saber, que fazer. Tudo a assustava, o ruído da brisa,

uma folha que caía, enfim, tudo produzia nela um

terrível pavor.

Ouvindo o uivar dos lobos, pôs-se a correr cheia de

terror; os pezinhos delicados, feriam-se nas pedras

pontiagudas e estava toda arranhada pelos espinhos.

Passou ao pé de muitos animais ferozes., mas estes

não lhe fizeram mal algum.

Enfim, à noitinha, cansada e ofegante, encontrou-se

diante de uma linda casinha situada no meio de uma

clareira. Entrou, mas não viu ninguém.

Contudo, a casa devia ser habitada, pois notou que

tudo estava muito asseado e arrumadinho, dando gosto

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de se ver.

Numa graciosa mesa coberta com uma fina e alva

toalha, achavam-se postos. sete pratinhos, sete

colherinha e sete garfinhos, sete faquinhas e sete

copinhos, tudo perfeitamente em ordem.

No quarto ao lado, viu sete caminhas uma junto da

outra, com seus lençóis tão alvos.

Branca de Neve, que morria de fome e sede, aventurou-

se a comer um pouquinho do que estava servido

em cada pratinho, mas, não querendo privar nem um

só dono de seu alimento, tirou somente um bocadinho

de cada. e bebeu apenas um golinho do vinho de

cada um.

Depois, não agüentando cansaço, foi deitar-se numa

caminha, mas a primeira era curta demais, a Segunda

muito estreita, experimentando-as todas até que a

sétima tinha a medida justa. Então fez sua oração,

encomendou-se a Deus e em breve adormeceu profundamente.

Ao anoitecer chegaram os donos da casa; eram os

sete anões, que trabalhavam durante o dia na escava

ção de minério na montanha.

Cada qual acendeu uma lanterninha e, quando a casa

se iluminou, viram que alguém entrara em sua casa,

porque não estava tudo na ordem perfeita conforme

haviam deixado ao sair.

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Sentaram-se à mesa, e, então, disse o primeiro:

- Quem mexeu na minha cadeirinha?

0 segundo: – Quem, comeu do meu pratinho?

0 terceiro: – Quem tocou no meu pãozinho?

0 quarto: – Quem usou o meu garfinho?

0 quinto: – Quem tirou um pouco da minha verdurinha?

0 sexto: – Quem cortou com a minha faquinha?

E o sétimo: – Quem bebeu do meu copinho?

Depois da refeição, foram para o quarto; notaram logo

as caminhas amassadas; o primeiro reclamou:

- Quem deitou na minha caminha?

- E na minha?

- E na minha? – gritaram os outros, cada qual examinando

a própria cama.

Enfim, o sétimo descobriu Branca de Neve dormindo a

sono solto na sua caminha.

Correram todos com suas lanterninhas e cheios de

admiração exclamaram:

- Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! que encantadora e

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linda menina!

Sentiam-se tão transportados de alegria, que não

quiseram acordá-la e deixaram-na dormir tranqüilamente.

0 sétimo anão dormiu uma hora com cada um de seus

companheiros; e assim passou a noite.

No dia seguinte, quando Branca de Neve acordou e

levantou-se, ficou muito assustada ao ver os sete

anões.

Mas eles sorriram-lhe e perguntaram com a maior

amabilidade:

- Como te chamas? – Chamo-me Branca de Neve, respondeu

ela. – Como vieste aqui à nossa casa?

Ela contou-lhes como sua madrasta mandara matá-la

e como o caçador lhe permitira que vivesse na floresta.

Após ter corrido o dia todo chegara aí e, vendo a

linda casinha, entrara para descansar um pouco.

Os anões perguntaram-lhe:

- Queres ficar conosco? Aqui não te faltará nada, só

tens que cuidar da casa, fazer nossa comida, lavar e

passar nossa roupa, coser, tecer nossas meias e manter

tudo muito limpo e em ordem; mas; quando tiveres

acabado o teu trabalho, serás a nossa rainha.

- Sim, anuiu a menina – ficarei convosco de todo o

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coração!

E ficou morando com eles, procurando manter tudo

sempre em ordem. Pela manhã, eles partiam para as

cavernas em busca- de ouro e minérios e, à noite,

quando voltavam, todos jantavam juntos muito alegres.

Como a menina ficava só durante ó dia, os anões

advertiram-na que se acautelasse:

- Toma cuidado com a tua madrasta; não tardará a

saber onde estás, por isso, durante nossa ausência,

não deixes entrar ninguém aqui.

A rainha, entretanto, certa de ter comido o fígado e o

coração de Branca de Neve, vivia despreocupada, ela

pensava, satisfeita, que era, novamente, a primeira e

mais bela mulher do reino.

Certo dia, porém, teve a fantasia de consultar o espelho,

e certa de que lhe responderia não ter mais nenhuma

rival em beldade. Assim mesmo disse:

- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-mo com franqueza:

Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?

Imaginem o seu furor quando o espelho respondeu:

- Real senhora, do país sois a mais formosa. Mas

Branca de Neve, que por trás dos montes vive e em

casa dos sete anões, é de vós mil vezes mais formosa!

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A rainha ficou furiosa, pois sabia que o espelho não

podia mentir. Percebeu, assim, que o caçador a enganara

e que Branca de Neve continuava a viver.

Novamente devorada pelo ciúme e pela inveja, só

pensava na maneira de suprimi-la encontrando algum

alívio só quando julgou ter ao alcance o meio desejado.

Pensou, pensou, pensou, depois tingiu o rosto e disfar

çou-se em velha vendedora de quinquilharias, de

maneira perfeitamente irreconhecível.

Assim disfarçada, transpôs as sete montanhas e foi à

casa dos sete anões; chegando lá, bateu à porta e

gritou:

- Belas coisas para vender, belas coisas; quem quer

comprar?

Branca de Neve, que estava no primeiro andar e se

aborrecia por ficar sozinha todo o santo dia, abriu a

janela e perguntou-lhe o que tinha para vender.

- Oh! coisas lindíssimas, – respondeu a velha – olhe

este fino e elegante cinto.

A o mesmo tempo, mostrava um cinto de cetim cor de

rosa, todo recamado de seda multicor. .Esta boa mulher

posso deixar entrar sem perigo., calculou Branca

de Neve; então desceu, puxou o ferrolho e comprou o

cinto.

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Mas a velha disse-lhe: – Tu não sabes abotoá-lo! Vem,

por esta vez, eu te ajudarei a fazê-lo, como se deve.

A menina postou-se confiante na frente da velha,

deixando que lhe abotoasse o cinto; então a cruel

inimiga, mais que depressa, apertou-o com tanta for-

ça, que a menina perdeu a respiração e caiu desacordada

no chão.

- Ah, ah! – exclamou a rainha, muito contente – Já

foste a mais bela! E fugiu rapidamente, voltando ao

castelo.

Felizmente, os anões, nesse dia, tendo terminado o

trabalho mais cedo que de costume, voltaram logo

para casa.

E qual não foi seu susto ao verem a querida Branca de

Neve estendida no chão, rígida como se estivesse

morta! Ergueram-na e viram que o cinto apertava demais

sua cinturinha. Logo o desabotoaram e ela come

çou a respirar levemente e, pouco a pouco, voltou

a si e pôde contar o que sucedera.

Os anões disseram-lhe:

- Foste muito imprudente; aquela velha era, sem dú-

vida, a tua horrível madrasta. Portanto, no futuro,

tenha mais cuidado, não deixes entrar mais ninguém

quando não estivermos em casa.

- Á pérfida rainha, logo que chegou ao castelo, correu

ao espelho, esperando, enfim, ouvi-lo proclamar a sua

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absoluta beleza, o que para ela soava mais deliciosamente

que tudo, e perguntou:

- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:

Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?

Como da outra vez, o espelho respondeu:

- Real senhora, do país sois a mais formosa. Mas

Branca de Neve, que por trás dos montes vive o em

casa dos sete anões… é de vós mil vezes mais formosa!

A essas palavras a rainha sentiu o sangue gelar-selhe

nas veias; empalideceu de inveja e, depois, torcendo-

se de raiva, compreendeu que a rival ainda

estava viva. Pensou, novamente, num meio de perder

a inocente, causa de seu rancor.

.Ah, desta vez hei de arranjar alguma coisa que será.

a tua ruína!.

E, como entendia de bruxedos, pegou num magnífico

pente. cravejado de pérolas e besuntou-lhe os dentes

com o veneno feito por ela própria.

Depois, disfarçando-se de outro modo, dirigiu-se para

a casa dos sete anões; aí bateu à porta, gritando:

- Belas coisas para vender! coisas bonitas e baratas;

quem quer – comprar? Branca de Neve abriu a janela e

disse: – Podeis seguir vosso caminho boa mulher; eu

não posso abrir a ninguém.

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- Mas olhar, apenas, não te será proibido! – disse a

velha – Olha este pente. cravejado de pérolas e digno

de uma princesa. Pega nele e admira de perto, nada

pagarás por isso!

Branca de Neve. deixou-se tentar pelo brilho das pé-

rolas; depois de o ter bem examinado, quis comprá-lo

e abriu a porta à velha, que lhe disse:

- Espera, vou ajudar você e a pôr o pente nos teus

lindos e sedosos cabelos, para que estejas bem adornada.

A pobre menina, sem saber, deixou-a fazer; a

velha enterrou-lhe o pente com violência; mal os dentes

tocaram na pele, Branca de Neve caiu morta sob a

ação do veneno.

A rainha maldosa resmungou satisfeita:

- Enfim bem morta, Flor de Beleza! – Agora tudo se

acabou para ti! Adeus!- exclamou, a rainha, soltando

uma gargalhada medonha. e apressando-se a regressar

ao castelo.

Já estava anoitecendo e os anões não tardaram a

chegar. Quando viram Branca de Neve estendida no

chão, desacordada, logo adivinharam nisso a mão da

madrasta. Procuraram o que lhe poderia ter feito e

encontraram o pente envenenado. Assim que o tiraram

da cabeça, a menina voltou a si e pôde contar o

que sucedera. Novamente a preveniram que tomasse

cuidado e não abrisse a porta, dizendo:

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- Foi ainda a tua madrasta quem te pregou essa peça.

Preciso que nos prometas que nunca mais. abrirás a

porta,. seja lá a quem for. Branca de Neve prometeu

tudo o que os anões lhe pediram.

Apenas de volta ao castelo, a rainha correu a pegar no

espelho e perguntou:

- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:

Qual- a mulher mais bela de toda a redondeza?

Mas a resposta foi como das vezes anteriores. 0 espelho

repetiu:

- Real senhora, do pais sois a mais formosa, Mas

Branca de Neve, que por trás dos montes vive e em

casa dos sete anões, é de vós mil vezes mais formosa!

Ao ouvir tais palavras, ela teve um assomo de ódio,

grito a raiva malvada:

- Hás de morrer, criatura miserável, ainda que eu tenha

que o pagar com minha vida!

Levou vários dias consultando todos os livros de bruxaria;

finalmente fechou-se num quarto, ciosamente

oculto, onde jamais entrava alma viva e aí preparou

uma maçã, impregnando-a de veneno mortífero.

Por fora era mesmo tentadora, branca e vermelha, e

com um perfume tão delicioso que despertava a gula

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de qualquer um; mas, quem provasse um pedacinho,

teria morte infalível.

Tendo assim preparado a maçã, pintou o rosto e disfar

çou-se em camponesa e como tal encaminhou-se,

transpondo as sete montanhas e indo bater à casa

dos sete anões. Branca de Neve saiu à janela e disse:

- Vai embora, boa mulher, não posso abrir a ninguém;

os sete anões proibiram.

- Não preciso entrar, – respondeu a falsa camponesa -

podes ver as maçãs pela janela, se as quiseres comprar.

Eu venderei alhures minhas maçãs, mas quero

dar-te esta de presente. Vê como ela é magnífica! Seu

perfume embalsama o ar. – Prova um pedacinho, estou

certa de que a acharás deliciosa!

- Não, não, – respondeu Branca de Neve – não me

atrevo a aceitar.

- Receias, acaso, que esteja envenenada? – disse a

mulher – Olha, vou comer a metade da maçã e tu

depois poderás comer o resto para veres que deliciosa

é ela.

Cortou a maçã e pôs-se a comer a parte mais tenra

pois a maçã havia sido habilmente preparada, de

maneira que o veneno estava todo concentrado na cor

vermelha.

Branca de Neve, tranqüilizada, olhava cobiçosamente

para a linda maçã e, quando viu a camponesa masti

 

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gar a sua metade, não resistiu, estendeu a mão e

pegou a parte envenenada. Apenas lhe deu a primeira

dentada, caiu no chão, sem vida.

Então a pérfida madrasta contemplou-a com ar feroz.

Depois, – saltando e rindo com uma alegria infernal,

exclamou:

- Branca como a neve, rosada como o sangue e preta

como o ébano! Enfim, morta, morta, criatura atormentadora!

Desta vez nem todos os anões do mundo poder

ão despertar-te!

Apressou-se a voltar ao castelo; mal chegou, dirigiuse

ao espelho e perguntou:

- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com

franqueza: Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?

Desta vez o espelho respondeu:

- De toda a redondeza agora, Real senhora, sois vós

a mais formosa!

Sentiu-se transportada de júbilo e seu coração

tranqüilizou-se, enfim, tanto quanto é possível a um

coração invejoso e mau.

Os anões, regressando à noitinha; encontraram Branca

de Neve estendida no chão, morta. Levantaram-na

e procuraram, em vão, o que pudera causar-lhe a

morte; desabotoaram-lhe o vestido, pentearam-lhe o

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cabelo. Lavaram-na com água e vinho, mas tudo foi

inútil: a menina estava realmente morta.

Então, colocaram-na num esquife é choraram durante

três dias. Depois cuidaram de enterrá-la, porém ela

conservava as cores frescas e rosadas como se estivesse

dormindo. Eles então disseram:

- Não, não podemos enterrá-la na terra preta. Fabricaram

um esquife de cristal para que fosse visível de

todos os lados e gravaram – na tampa, com letras de

ouro o seu nome e sua origem real; colocaram-na

dentro e levaram-na para o cume da montanha vizinha,

onde ficou exposta, e cada um por sua vez ficava

ao pé dele para a guardar contra os animais ferozes.

Mas podiam dispensar-se disso; os animais, todos da

floresta, até mesmo os abutres, os lobos, os ursos,

os esquilos e pombinhas, vinham chorar ao pé da inocente

Branca de Neve.

Muitos anos passou Branca de Neve dentro do esquife,

sem apodrecer; parecia estar dormindo, pois sua tez

era ainda como a desejara a mãe: branca como a

Neve, rosada como o sangue e os longos cabelos pretos

como ébano; não tinha o mais leve sinal de morte.

Um belo dia, um jovem príncipe, filho de um poderoso

rei, tendo-se extraviado durante a caça na floresta,

chegou à montanha onde Branca de Neve repousava

dentro de, seu esquife de cristal. Viu-a e ficou deslumbrado

com tanta beleza, leu o que estava gravado

em letras de ouro e não mais a esqueceu.

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Pernoitando em casa dos anões disse-lhes:

- Dai-me esse esquife; eu vos darei todos os meus

tesouros para poder levá-lo ao meu castelo. Mas os

anões responderam:

- Não; não cedemos a nossa querida filha nem por

todo o ouro do mundo. 0 príncipe caiu em profunda

tristeza e permaneceu extasiado na contemplação da

beleza tão pura de Branca de Neve; tornou a pedir aos

anões:

- Fazei-me presente dele, pois já não posso mais viver

sem a ter diante de meus olhos; quero dar-lhe as

honras que só se prestam ao ser mais amado neste

mundo.

Ao ouvirem essas palavras, e vendo a grande tristeza

do príncipe, os anões compadeceram-se dele e deram-

lhe Branca de Neve, certos de que ele não deixaria

de colocá-la na sala de honra do seu castelo.

0 príncipe tendo encontrado seus criados, mandou que

pegassem no caixão e o carregassem nos ombros.

Aconteceu, porém, que um dos criados tropeçou numa

raiz de árvore e, com o solavanco, pulou da boca meio

aberta o bocadinho de maça que ela mordera mas não

engolira.

Então Branca de Neve reanimou-se; respirou profundamente,

abriu os olhos, levantou a tampa do esquife

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e sentou-se: estava viva.

- Meu Deus, onde estou? – exclamou ela.

0 príncipe, radiante de alegria, disse-lhe:

- Estás comigo. Agora acabaram todos os teus tormentos,

bela garota; a mais preciosa que tudo quanto

há no mundo; vamos ao castelo de meu pai, que é

um grande e poderoso rei, e serás a minha esposa

bem amada.

Como o príncipe era encantador e muito gentil, Branca

de Neve aceitou-lhe a mão. 0 rei muito satisfeito com

a escolha do filho, mandou preparar tudo para umas

núpcias suntuosas.

Para a festa, além dos anões, foi convidada também

a rainha que, ignorando quem era a noiva, vestiu os

seus mais ricos trajes, pensando eclipsar todas as

damas e donzelas. Depois de vestida, foi contemplarse

no espelho, certa de ouvir proclamar sua beleza

triunfante. Perguntou:

- Espelhinho, meu espelhinho, Responde-me com franqueza:

Qual a mulher mais bela de toda a redondeza?

Qual não foi seu espanto ao ouvi-lo responder:

- Real senhora, de todas aqui solo a mais bela agora,

Mas a noiva do filho do rei, é de vós mil vezes mais

formosa!

22

A perversa mulher soltou uma imprecação e ficou tão

exasperada que não podia controlar-se e não queria

mais ir à festa. Entretanto, como a inveja não lhe

dava tréguas, sentiu-se arrastada a ver a jovem rainha.

Quando fez a entrada no castelo, perante a corte reunida,

Branca de Neve logo reconheceu sua madrasta e

quase desmaiou de susto.

A horrível mulher fitava-a como uma serpente ao fascinar

um passarinho. Mas sobre o braseiro já estavam

prontos um par de sapatos de ferro, que haviam ficado

a esquentar em ponto de brasa; os anões apoderaram-

se dela e, calçando-lhe à força aqueles sapatos

quentes como fogo, obrigaram-na a dançar, a dançar,

a dançar, até cair morta no chão.

Em seguida, realizou-se a festa com um esplendor

jamais visto sobre a terra, e todos, grandes e pequenos,

ficaram profundamente alegres.

Fim

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14:30
18 novembro 2009


Mateus

Member

posts 87

Creio a versão do Irmãos Grimm é bem conhecida pela maioria.

Como eu disse antes, existem versões desse conto que podem ser meramente vistas como contos semelhantes a ele, em vez de versões do mesmo.  Esses contos podem ser encontrados em inglês no seguinte site:

http://www.surlalunefairytales…..other.html


Entre esses contos semelhantes a Branca de Neve, está o conto Gold Tree and Silver Tree, de Joseph Jacobs, publicado em 1892. Eu fiz uma tradução dele para o português. Aqui está:


Luz da Prata e Luz do Sol

 

      Era uma vez um rei que tinha uma esposa chamada Luz da Prata e uma filha chamada Luz do Sol.

      Certo dia, Luz da Prata e Luz do Sol foram a um vale onde havia um poço, dentro do qual estava uma truta. E disse Luz da Prata:

      -Linda trutinha gentil, não sou a mais bela rainha deste mundo?

      -Oh! É seguro que não o sois.

      -Pois quem, então?

      -Pois vossa filha, Luz do Sol..

      Luz da Prata voltou para casa cega de cólera. Caiu na cama e jurou que não se sentiria bem até que conseguisse comer o coração e o fígado de sua filha.

      Ao cair da noite, quando o rei voltou para casa, disseram-lhe que sua esposa estava muito doente. Ele foi vê-la e perguntou-lhe o que se passava com ela.

      -Ah! Apenas uma coisa de que podes curar-me se quiseres!

      -Oh! Não há nada que eu, podendo fazer, não faria por ti!

      -Se eu puder comer o coração e o fígado de minha filha Luz do Sol, ficarei boa.

      Ora aconteceu de, nesse momento, o filho de um grande rei vir de seu país para pedir em casamento a mão de Luz do Sol. O rei prontamente consentiu, e o príncipe levou embora a jovem.

      O rei, então, ordenou que seus homens fossem às colinas de caça matar um bode, e deu o coração e o fígado do animal para sua esposa comer. Após isso, ela se sentiu melhor e curada.

      Um ano depois, Luz da Prata voltou à colina onde estava o poço com a truta.

      - Linda trutinha gentil, não sou a mais bela rainha deste mundo?

      -Oh! É seguro que não o sois.

      -Pois quem, então?

      -Pois vossa filha, Luz do Sol.

      -Oh! Bem, isso foi certo enquanto ela viveu. Há um ano que comi seu coração e seu fígado.

      -Oh! Ela não está realmente morta. É esposa de um grande príncipe de um reino extrangeiro.

      Luz da Prata voltou para casa e pediu ao rei que preparasse o grande navio; e disse:

      -Irei visitar minha querida Luz do Sol, que há tanto não vejo.

      Preparou-se o navio, e seguiu-se viagem.

      O príncipe estava fora de casa, caçando nas colinas, quando Luz do Sol reconheceu o grande navio de seu pai aproximando-se.

      -Oh! – disse ela aos criados – minha mãe está vindo, e irá matar-me!

      -Ela não vos matará! Trancar-vos-emos num quarto onde estareis a salvo dela.

      E assim fizeram.

      Após desembarcar, Luz da Prata pôs-se a gritar:

      -Não vens encontrar-te com tua própria mãe quando esta vem ver-te?

      Luz do Sol respondeu que não podia, pois estava trancada num aposento do qual não conseguia sair.

      -Não irás mostrar o teu dedinho pelo buraco da fechadura para que tua mãezinha o beije? – disse Luz da Prata.

      Quando ela mostrou o dedo, Luz da Prata fincou nele uma haste envenenada, e Luz do Sol caiu morta.

      Ao retornar para casa e encontrar Luz do Sol sem vida, o príncipe caiu em grande aflição. Vendo o quão bela era ela, não quis enterrá-la; trancou-a num aposento onde ninguém poderia aproximar-se dela.

      Passado algum tempo, ele tornou a casar-se. A casa inteira foi posta ao alcance da nova esposa, com exceção de um dos quartos; e ele sempre mantinha a chave deste segura consigo.

     Certo dia, ele se esqueceu de levar a chave, e a segunda esposa entrou no aposento. E o que ela viu lá senão a mais linda mulher que jamais vira antes? Pôs-se a sacudi-la e tentou acordá-la. Notou a haste envenenada em seu dedo, e a retirou. E Luz do Sol voltou à vida, tão bela como sempre foi.

      Ao cair da noite, o príncipe voltou das colinas de caça, com um semblante melancólico.

      -Que presente seria para mim poder fazer-te sorrir! – disse-lhe a esposa.

      -Oh! Decididamente nada far-me-ia sorrir, a não ser que Luz do Sol voltasse a viver.

      -Bem, lá no quarto hás de encontrá-la com vida.

      Quando viu Luz do Sol viva, o príncipe exultou de alegria, e pôs-se a beijá-la, e beijá-la, e beijá-la.

      -Tendo sido ela a primeira, disse a segunda esposa, o melhor é que continues a viver com ela. Ir-me-ei embora.

      -Oh! É certo que não irás embora. Ficarei com vós duas.

      Ao término daquele ano, Luz da Prata voltou à colina onde havia o poço com a truta.

      - Linda trutinha gentil, não sou a mais bela rainha deste mundo?

      -É seguro que não o sois.

      -Pois quem, então?

      -Pois vossa filha, Luz do Sol.

      -Oh! Bem, ela não está viva. Há um ano que espetei a haste envenenada em seu dedo.

      -Oh! Ela não está realmente morta, contudo.

      Então, ela foi para casa e pediu ao rei que preparasse o grande navio, pois ela iria visitar sua querida Luz do Sol, que havia tanto não via. Preparou-se o navio, e seguiu-se viagem. A própria Luz da Prata ficou no leme, e dirigiu tão bem a embarcação, que a viagem nem foi tão longa.

      O príncipe estava caçando nas colinas, quando Luz do Sol reconheceu o navio da pai chegando.

      -Oh! – ela disse – minha mãe está vindo, e irá matar-me!

      -Não te preocupes, disse a segunda esposa, iremos ter com ela.

      Luz da Prata desembarcou.

      -Luz do Sol, meu amor, vem cá! – disse ela – tua mãezinha trouxe-te uma preciosa bebida.

      -É um costume neste país – disse a segunda esposa – que todo aquele que ofereça uma bebida tome-lhe antes um gole.

      Luz da Prata levou a bebida até a boca, e a segunda esposa bateu na taça, de modo que algumas gotas caíram na garganta da mulher, que caiu morta. Tiveram apenas que carregá-la para casa e enterrá-la.

      O príncipe e suas duas esposas tiveram uma longa vida depois disso, cheia de paz e contentamento. Deixo-os nesta parte.

 

Título Original: Gold-Tree and Silver-Tree

Conto escocês compilado por Joseph Jacobs, 1892

Tradução: Mateus Amato Montalbano, 2009


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